Quando éramos crianças
Víamos a chuva com a tristeza
Por perder as brincadeiras no quintal
No pátio das escolas
No terraço
Hoje, quando não há chuva
Tememos
Pelos quintais dos bichos
Bichos que somos
Bichos que amamos
E cuidamos!
Ainda temos tristezas
Mas sabemos onde nascem
Como crescem...
Elas se alimentam do medo
Por isso cuidamos do bicho homem
Para que os instintos
Não ousem abafar a consciência
Da fina flor, fragil e fiel
Que habita em nossos corações
Que ela não morra
Por falta de chuva
Nem de amor selvagem
Amor desmedido
Que não foi corrompido
Pelas boas maneiras
De esconder o invisivel
Porque é deste imanisfesto
Que nasce a consciência de que
O bicho selvagem que somos
É casca que derrete
Sob chuva de estrelas
Nos quintais enluarados.
Nunca mais deixarei
De brincar temendo
A chuva molhar.
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