Anatta e a Arte Oceânica

Já fazem alguns anos que criei este blog para compartilhar a Arte Oceânica. Sem conseguir descrevê-la com sinceridade, acabei por não atualizá-lo com a frequência que gostaria. Lembro-me de uma vez quando vi um sannyasin compartilhando este link e me aborreci demasiado com o fato. Hoje sei que era porque me sentia desnudada ao expor meus escritos que sempre  qualifiquei como insatisfatórios para expressar a real experiência oceânica e criativa. Ao ler e reler meus textos os achava desinteressante diante da vivência que me levou a escrevê-los e depois porque a Arte Oceânica evocava para mim profundidade a qual não transitava com naturalidade no campo dos pensamentos. Agora ficou claro que me faltou rendição porque a Arte Oceânica não é "minha" obra mas fruto de uma mediunidade que não compreendia completamente. Por sensibilidade mediúnica criei a maior parte da obra poética musical e para um artista isso não é fácil admitir, As melhores criações eram oriundas destes momentos em que nada sou. Quem é capaz de tomar nossas mãos e escrever por nós? "busquei perguntei implorei saber o que não sabia..."(trecho de música autoral)
Encontrei assim o sentido do nome artístico - Anatta Nadeen - que ilusoriamente foi "minha" criação, Mas, quando assumo que, em muitos momento de reflexão, também é o inconsciente que se revela, encontro finalmente os fundamentos para  arte mística e iniciática que produzo, muitas vezes até dormindo.

                                     Recebi o nome sânnyas  MaDeva Nadeen em 1995, mas desde o início assinei meus trabalhos como Anata Nadeen. Em algum de seus livros, Osho se referiu à nossa natureza búdica como nossa origem e o nosso destino e o meu nome de registro é Anatálie. Eu havia "criado" uma personagem com o nome de Alie que era o meu começo e meu fim, ou seja a minha criança búdica.  Alie era meu começo e meu fim e Anata era uma parte deste nome que sempre gostei muito.
Anatta (com 2 T) que dizer não eu, segundo o conceito fundamental do budismo. Diferente da ideia de Atman que é o Eu divino eterno, o conceito do Hinduísmo ao qual Buda se opôs ao contestar  o eu que criava justificativa para as castas. O termo significa o não atman, não eu, ou a essência que migra para outras vidas.  
Naturalmente meu ego não se identificava como criador toda obra poética musical porque o ego se identifica com a mente e a mente é memória. As criações as quais me refiro não brotam da memória mas de um contato com o não eu, o ser eterno. Mas se, ao assina-las, não estava centrada neste Ser eterno, gerada um grande conflito. Em tempo posso dizer que a obra é canalizada, visto que um canal de percepção se abre ao Ser, interno ou não, na minha jornada Arte Oceânica.  
"Nata" é uma expressão para se referir a elite, ou aos melhores, e isso cria muitos julgamentos sobre a prepotência de me julgar melhor. Mas a busca de diluir o ego  é para estar centrado no Ser  que é verdadeiramente a alma encarnada e a alma é una, oceânica. Isso causa muitas contradições para comunicar e me parece mais simples viver no fato que somos um corpo/alma e que vamos morrer um dia do que treinar como um mestre uma linguagem originada pela consciência da eternidade. Pareceria arrogância para aqueles que vivem sob o limite do tempo e que se embalam numa ansiedade de muito ter muito o que fazer nesta vida para satisfações pessoais. O tempo pode ser um aliado a viver no caminho do meio, entre corpo e alma, sem identificação com um nem outro, mas sendo aquele que possui percepções únicas e que, por amor ou necessidade de transcendência, deve compartilhar seus dons, incondicionalmente.
A Arte Oceânica é arte que conecta à consciência oceânica e ao Osho que nos proporcionou este conceito da consciência cósmica e o caminho para vivenciá-la que são as técnicas de meditação. Anatta Nadeen é apenas um nome que serve como lembrança de que, o Ser e o Não Ser engendram-se mutuamente.
Anatta Osho (não eu de Osho) é o nome da Escola de Mistérios que quer dar acesso ao mestre interior, produzindo vivências para o crescimento vertical que se traduz na lembrança do eterno, mágico, místico e milagroso tempo, dedicado  a perceber a consciência oceânica e a alegria que ela nos proporciona ao revelar sentido à vida ordinária.
Anatta é a alma, una e oceânica. Anatta que vive em mim, saúda e se harmoniza com Anatta que vive em você.
Namastê.

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