O buscador e o resgate da alma.




Navegando por profundos mares encontrei o sentido do Buscador.
De início ele parecia inquieto, insatisfeito com tudo. Mesmo posando de vitorioso, tendo alcançado o que todos cobiçam, o buscador almeja algo e nem sabe exatamente o quê. Uns enfiam a cara nos livros ou no trabalho, acreditando poder encontrar assim o alívio da sua angústia, outros buscam fortes emoções, acreditando que movendo as águas dos sentimentos, estarão de alguma forma livre da monotonia. Haja paqueras para mexer os fluídos! Até perceber que os alvos mudam na aparência mas o tédio permanece sobre as expectativas.

O buscador muitas vezes nem sabe de si o suficiente para conhecer a origem do seu desassossego, mas o que sabemos e que pode ser de muita importância, é que ele foi amputado de sua alma desde a sua infância. Ele deixou de criar a sua vida alinhado ao Ser e passou a ser um instrumento social que acredita que vai ser feliz quando alcançar o status de sua estirpe e talvez encontrar algum tipo de alento para a sua dor de viver sem sentido sem fé na sua própria vida eterna.

Quando digo que muitos de nós foi amputado da alma é por que a alma, razão maior de existência espiritual, ainda flui em harmonia a tudo aquilo que é. Nas águas, nos ventos, nas matas, a alma existe por si só, sem a força negativa do pensamento que o corpo nela impregna. Mas o corpo, o eu corpo(!), fato causal para que ela aterrize neste mundo, está desligado de sua origem espiritual . O buscador inconsciente que se distrai mas não se realiza, adoece frequentemente, sofrendo de alergias, de histerias e outros males de hoje em dia.
O corpo precisa relaxar para a alma nele adentrar mas esse é apenas um primeiro momento do resgate. Para manter-se integrado, corpo e alma precisam se casar, entrar num profundo entendimento. Isso por que a alma não pode fazer concessão por que ela é, e o corpo (fielmente representado pela mente) é  quem vai ter de fazer todos os ajustes necessários para ser o anfitrião de si mesmo e reaver o seu sentido dentro da eternidade.A isso chamamos de desenvolvimento espiritual.
Fazendo-me clara com a palavra escrita, depois de um longo processo, quando caminhei instintivamente em direção a plenitude e minha alma foi clarificada com a arte oceânica, para ser sentida e absorvida. Admito o quanto pode ser difícil a rendição nesta jornada que parece estar intrínseca a condição humana.
Movida pelo simples fluir na existência, sinto-me inteira e convido a todos para a maior de todas as jornadas, "o resgate da alma". À princípio indicando que ela estará na natureza, vamos preparar o corpo/mente para essa integração com a dança,  o canto e a pintura, vamos voltar a nossa inocência de criança espiritual para integrarmos o divino que realmente somos.

Anatta Nadeen

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